Se tem viaturas TVDE em circulação e ainda está a usar o seguro pessoal do automóvel, está a operar com um risco enorme. Em caso de sinistro durante uma viagem TVDE, a seguradora pode recusar a cobertura — e a responsabilidade cai inteiramente sobre si.

Este guia explica o que a lei obriga, quais os tipos de apólice disponíveis em Portugal, quanto custam, e o que verificar antes de assinar qualquer contrato de seguro para a sua frota.

O que diz a lei: Lei n.º 45/2018

A Lei n.º 45/2018, que regula a atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados (TVDE), é clara: a responsabilidade pelo seguro recai sobre o operador, não sobre o motorista parceiro.

As coberturas obrigatórias são:

O seguro automóvel de uso pessoal ou misto não cumpre estes requisitos. Mesmo que o veículo esteja coberto para circulação normal, a atividade comercial TVDE exige uma apólice específica.

Atenção: o IMT pode exigir comprovativo em fiscalização O Instituto da Mobilidade e dos Transportes pode solicitar o certificado de seguro atualizado em qualquer momento. Operar sem seguro TVDE válido expõe o operador a coimas, suspensão da licença e responsabilidade civil ilimitada em caso de sinistro.

Tipos de apólice disponíveis em Portugal

O mercado segurador português tem evoluído nos últimos anos para responder à realidade do setor TVDE. Estas são as principais opções disponíveis:

Seguro comercial individual TVDE

A solução mais comum para operadores com uma ou duas viaturas. Cobre um único veículo com atividade TVDE declarada. O custo situa-se habitualmente entre €1.500 e €3.000 por viatura por ano, dependendo do perfil do condutor, do veículo e do volume de quilómetros previstos.

Seguro de frota (3+ viaturas)

A partir de três viaturas, os operadores podem negociar uma apólice de frota. As vantagens são significativas: gestão centralizada numa única apólice, faturação unificada e descontos que variam entre 20% e 35% face ao custo de apólices individuais. É a solução recomendada para quem está a escalar o negócio.

Pay-per-use / telemática

Modelos de seguro baseados em quilómetros percorridos ou em dados de condução recolhidos por dispositivos telemáticos. Ainda pouco comuns em Portugal, mas algumas seguradoras europeias estão a introduzir estes produtos. Podem ser vantajosos para viaturas com baixa utilização.

Seguradoras com produtos TVDE em Portugal

As seguradoras com cobertura específica para atividade TVDE incluem: Fidelidade, Generali, Tranquilidade e Ageas. Recomendamos pedir propostas a pelo menos duas ou três seguradoras antes de decidir — os preços variam consideravelmente para o mesmo perfil.

O que verificar na apólice antes de assinar

Nem todas as apólices "TVDE" são iguais. Há pontos críticos que deve analisar com atenção:

Dica: negoceie cláusula de substituição de condutor Se tem motoristas rotativos, peça à seguradora uma cláusula que permita a substituição de condutor sem necessidade de comunicar cada alteração individualmente. Simplifica muito a gestão operacional.

Frota vs. apólices individuais: comparação de custo-benefício

CritérioApólices individuaisSeguro de frota
Número mínimo de viaturas13+
Custo médio por viatura/ano€1.500 – €3.000€1.000 – €2.100
Gestão administrativaUma apólice por viaturaUma apólice para toda a frota
Adição de novas viaturasNova apóliceAditamento simples
Substituição de condutorComunicação por viaturaGestão centralizada
Desconto volumeNão aplicável20% – 35%

Para um operador com 3 viaturas, a poupança com seguro de frota pode representar entre €900 e €2.700 por ano face a três apólices individuais — sem contar com a redução significativa do tempo de gestão administrativa.

O seguro como despesa dedutível

O prémio de seguro das viaturas TVDE é uma despesa do negócio, fiscalmente dedutível — tanto em IRC (para sociedades) como em IRS (para empresários em nome individual, quer em regime simplificado quer em contabilidade organizada).

Para garantir a dedutibilidade:

Regime simplificado vs. contabilidade organizada No regime simplificado, as despesas não são deduzidas individualmente — aplica-se um coeficiente fixo às receitas. Em contabilidade organizada, cada despesa (incluindo o seguro) é deduzida pelo valor real. Para operadores com frotas maiores e custos elevados, a contabilidade organizada tende a ser mais vantajosa.

Perguntas frequentes sobre seguro TVDE

O motorista pode contratar o seguro em vez do operador?

Não. A Lei n.º 45/2018 é explícita: a obrigação de garantir cobertura de seguro recai sobre o operador licenciado, não sobre o motorista parceiro. O operador pode repercutir o custo no acordo com o motorista, mas a responsabilidade legal é sempre sua.

O seguro cobre acidentes quando o motorista está à espera de uma viagem (sem passageiro)?

Depende da apólice. Algumas coberturas TVDE aplicam-se apenas quando a aplicação está ativa e o veículo está em viagem. Outras cobrem também o período de espera com a app ligada. Verifique esta distinção na sua apólice — é um ponto crítico.

O que acontece se houver um sinistro sem seguro TVDE válido?

A seguradora do seguro pessoal pode recusar a cobertura por uso comercial não declarado. Nesse caso, o operador fica pessoalmente responsável por todos os danos — corporais e materiais — sem limite definido. O risco financeiro é potencialmente ilimitado.

Nunca perca o controlo das apólices da sua frota.

Com o Frotis, registe o seguro como despesa recorrente mensal de forma automática e receba alertas quando uma apólice está prestes a renovar — para nunca ser apanhado desprevenido.

Experimentar grátis 14 dias